Esta era uma resenha que eu devia ter postado há 259 anos, mas duas pedras entraram no meu caminho: 1) período intenso de provas misturado com volta de greve, precisando resolver assuntos pendentes em dois campus diferentes, e 2) escada assassina.

Pra quem não sabe, faz três semanas que levei um ~pequeno tombo~ de uma escada espiral lá em Recife. Bati a cabeça e as costas, vi tudo dobrado, vomitei, fiquei de cama, mas não quebrei nada, apesar das dores sinixxxtras que me fazem parecer uma velhinha. Ficar em uma posição por muito tempo dói tipo tortura medieval, o que significa que passo muito menos tempo no computador. Escrever ultimamente não tem sido uma opção.

Aos poucos fui montando algumas resenhas e posts, deixando alguns pré-montados pra quando eu estiver me sentindo melhorzinha, tipo agora. 


✐  I N F O R M A Ç Õ E S   T É C N I C A S 

Autor: Andrew Pyper
Editora: DarkSide Books
Lançamento: 2015
Páginas: 320

✐ O   L I V R O 


Ateu, inteligente e cético, David Ullman é um respeitado professor de Columbia, invejado por muitos pela sua posição prestigiada na Ivy League. Expert em John Milton e conhecedor profundo das obras literárias mais obscuras, David é procurado por uma mulher misteriosa para um trabalho ainda mais misterioso em Veneza. Os detalhes não são revelados antes da hora, e a única coisa que ele sabe é que alguém o espera em determinado endereço do outro lado do mundo. 

Apesar da boa sorte profissional, sua vida pessoal não anda tão bem assim. Pai de Tess, uma adolescente que passa mais tempo trancada com o seu diário do que com a família, e marido de Diane, a mulher que, de alguma forma, ele ainda ama apesar de não conseguir expressar exatamente os seus sentimentos, David é um homem de meia idade mergulhado no que ele próprio define como melancolia.

Sua jornada na busca de pistas sobre o Inominável, demônio que o cerca de dúvidas, missões e Trevas, é um caminho que mudará pra sempre a sua vida.

“A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe” 
                                               Charles Baudelaire 


✐ I M P R E S S Õ E S


Eu estava TÃO ansiosa pra ler este livro que, quando o carteiro bateu aqui em casa logo de manhãzinha, quase morri de felicidade. 

Não tem como não comentar do trabalho incrível da DarkSide. O que é essa capa, Brasew?! A capa dura, o miolo, o marcador de página, as figuras... tu-do no livro tem um acabamento surreal, maravilhoso. É o livro mais lindo do mundo! Maaaas... eu confesso que minhas expectativas estavam muito altas, que acabei sendo forçada a me colocar de volta no lugar. O Demonologista é bom, mas não é tudo isso que eu imaginava. 

Então vamos à minha análise:

P O N T O S    N E G A T I V O S   

A minha frustração, na verdade, não é com a estória, é com o David. Que cara chato! O livro é narrado em primeira pessoa e, meus amigos, o David Ullman é um pé no saco. Muita lamentação por parágrafo, muito mimimi desnecessário, páginas e páginas de melancolia e pesar que... zZzzzZzz. Se não fosse pelo personagem principal, eu soltaria fogos quando terminasse a leitura.

Além disso, o livro tem pouquíssimo diálogo. Eu sou uma fã de diálogos e acredito que o personagem ganha vida quando ele fala, quando você vê a interação dele com os amigos e o resto do mundo. Nem só de descrição e tristeza vive um ser fictício, não é mesmo?

P O N T O S   P O S I T I V O S    

Apesar da escassez de diálogos, as conversas entre David e o Inominável — em especial nas últimas cinquenta páginas, quando a porra começou a ficar séria — foram incríveis. Andrew fez um trabalho muito bom na descrição da frieza das expressões dos sujeitos possuídos, os detalhes de cada palavra muito bem escolhida, os textos de Milton e as consequências de cada pista. Eram, sem dúvida, os pontos altos da trama.

A  personagem de ouro ficou por conta de O'Brien, melhor amiga do David, que é uma mulher forte e inteligente, e ajuda a descontrair a tensão e negatividade da estória. As partes com ela eram as melhores! Fiquei torcendo pra ela aparecer o tempo todo, já que é uma personagem de fácil identificação.

E por falar em final, neste livro temos um que deixa algumas perguntas no ar. O entendimento é subjetivo, e eu entendi várias coisas diferentes ao conversar sobre ele com outras pessoas. 

Alguém aí leu O Demonologista? O que acharam do final?




De 0 a 5 caveirinhas, minha classificação foi: 



via

O lema "Não passarão!" nunca fez tanto sentido como ontem, 25 de outubro, segundo dia de provas do Enem. 

Com o tema "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", aproximadamente 7 milhões de pessoas pensaram, pelo menos ontem, sobre um dos assuntos mais regados de hipocrisia e negligência do país. 

Eu, que não participei do Enem, fiquei frustrada por não ter conseguido dar a minha opinião desta vez. Então, MEC, fica aqui a minha redação como um registro da minha felicidade por abordarmos um tópico tão mal interpretado por alguns e, infelizmente, mal visto por outros.

E não me importa que o feminismo entre na moda, como afirmam por aí. Me importa é que a misoginia cresça, cada vez mais, apadrinhada pela ignorância ou pela falta de caráter.

Em cada 10 mulheres no mundo, 7 já foram ou serão violentadas, segundo a ONU. Os "crimes de honra" — por algum membro familiar por motivações como gravidez ou adultério, por exemplo — são a causa de 5 mil assassinatos de mulheres por ano. No Brasil, a cada 10 minutos, uma mulher é vítima de estupro. Só na última década, mais de 43 mil foram assassinadas.



Com a implementação da lei Maria da Penha, em 2006, a violência contra mulheres teve uma breve queda, voltando a subir nos anos seguintes, mostrando que nem mesmo a perspectiva da lei tem influência sobre os agressores.

O que são estes números senão a prova de que precisamos falar sobre violência?



Engana-se quem pensa que violência só se enquadra como agressão física. Abuso verbal, psicológico, institucional e moral são peças-chave que, muitas vezes, passam despercebidas por nós, porque somos treinadas para aceitar certos desaforos como besteiras. Chega! Ser humilhada não é besteira. Ser levada a acreditar que você não é ninguém sem x companheirx não é besteira. Dificultar métodos contraceptivos ou atendimento às vítimas de estupro não é e nem pode ser besteira. Vazar fotos íntimas NÃO é besteira. Quanto mais rápido entendermos isso, mais eficaz será a nossa luta.


Muita gente acredita que a internet é uma terra sem lei. Permitimos condutas criminosas todos os dias, com ou sem querer, com a mentalidade quase inocente de que que mal há?estima-se que, em todo o mundo, 73% das mulheres conectadas já sofreram violência online. 

"Mas isso não existe", eles dizem. Não? E aquela nude da filha do ator global que você passou no grupo do whatsapp? E aquela foto da filha do pastor transando que você compartilhou? Lembra da atriz de Hollywood pelada? 

Aí entra a culpabilização da vítima: "O cara que vazou até tá errado, mas quem mandou deixar tirar foto pelada?". Co-responsabilizamos sem medo as vítimas de violência, acreditando que se tivessem agido de outra forma, não seriam abusadas. Era uma saia curta demais. Fotos demais. Álcool demais. Falou demais. Existiu demais. 

Veja bem: não é a atitude criminosa — estupro, agressão física, vazamento de conteúdo íntimo — que é condenada. É a vestimenta, atitude ou liberdade sexual da vítima que é digna de punição. Trata-se, segundo a psicologia, da pseudo-moralidade por trás da falácia do mundo justo: coisas ruins acontecem com pessoas ruins. Não se engane, a justificativa co-responsabilizadora é ainda mais cruel que o próprio crime.




"Pra quê feminismo? Que violência?", eles continuam dizendo. "Isso é besteira". É mesmo? Vamos dar uma olhadinha na matéria do G1 sobre a redação do Enem 2015.






Em um país onde se acredita que a igualdade de direitos é "deturpação dos valores morais", e que 49 pessoas curtem a afirmação que "a mulher apanha do marido porque é burra e gosta de apanhar", o feminismo é SIM uma ferramenta importante no processo de identificação de opinião e ainda mais importante para a garantia de existência daquelas que sofrem e ainda levam a culpa. É o gatilho que faltava na discussão de um mundo melhor.

Um assunto como violência NÃO PODE ser tratado como mero desacordo político, como um diferencial da esquerda em relação à direita. Estamos falando de uma existência digna para seres humanos. Ou a vida perdeu totalmente o seu valor ou andamos com sérios problemas de interpretação de texto. Não use sua preferência política como desculpa para misoginia. Essa é uma luta de todos.

Todos podemos ser colaboracionistas da violência. Hoje é o momento exato em que podemos fazer a diferença.

Que dia, senhoras e senhores, que dia!



Vai ter maquiagem de efeito especial, sim, e, se reclamar, tem duas.

Olá meu povo lhiendo!

Vi essa tag no blog da linda da Fê, Algumas observações, e achei muito bacana e até um pouco diferente das que fiz antes. Tem uns 599 anos que não respondo nenhuma tag, e, como essa semana tem sido bem corrida por causa das provas em uma faculdade (Letras) e porque a outra saiu da greve (Serviço Social), calhou de ser uma boa hora pra brincar disso por aqui — até porque se não fosse por ela, não teria o que postar até semana que vem, já que estou sem cabeça até pra respirar. 

É tudo muito simples: como o nome já diz, é só completar a frase! Bora lá?


Sou muito... desorganizada e ansiosa, do tipo que perde as coisas e infarta porque não consegue achar.




Não suporto... coisas que sobrevivem embaixo d'água. Meu lema: jogou na água, sobreviveu, eu não como.

Não, obrigada.


Eu nunca... vi Game of Thrones. Judge me.

Tô achando que valeria a pena, hein! rs

Eu já briguei...
 pelo Facebook. Às vezes não só pra desver certas coisas.

Defenestrar

Quando criança... eu sonhava em namorar o Shiryu. Até acreditava que ele morava no apartamento vazio no final do corredor, porque eu e as outras crianças vivíamos dizendo que os Cavaleiros do Zodíaco estavam lá dentro. Nosso relacionamento terminou quando percebi que todo dia era um mimimi diferente, sempre usava a cegueira como desculpa pras paradas. 

Meu ex, cego pela milésima vez


Neste exato momento... tô escutando música, escrevendo o post e conversando pelo telefone, quando deveria estar estudando Teoria da Literatura I. 

Só mais cinco minutinhos


Tenho medo de... escuro, palhaços, aparições, cair de lugares altos, ficar sozinha em uma multidão, crocodilos e fios ligados na tomada quando durmo ou saio de casa.

Sim, eu sou cagona  ¯\_(ツ)_/¯


Eu sempre gostei...
 de cachorros! Sou do tipo que conversa com todo cachorro que encontra na rua e seria tranquilamente uma acumuladora se morasse em casa.

Mabel toda serelepe 


Se eu pudesse... traria todo mundo que eu gosto pra morar pertinho de mim ♥ É duro conhecer só 4 pessoas em uma cidade inteira.

Beijos migos


Fico feliz quando... as coisas começam a dar certo e posso parar de me preocupar por algum tempo. Em geral, sou a ansiedade em pessoa e me dá uma dorzinha no peito só de pensar nas coisas que podem piorar.

Obrigada, universo

Se eu pudesse voltar no tempo...
 priorizaria outras pessoas em vez das que dediquei mais o meu tempo. No fim das contas, a gente sempre acaba quebrando a cara com um ou outro.

Sim


Quero muito viajar para... o Universo Paralello, mas esse ano não vai rolar. Foi a melhor experiência que vivi em 2012 e, infelizmente, o de 2015 não pode ser uma prioridade até tudo voltar a se acertar.

Festival bienal de música eletrônica que dura 7 dias no interior da Bahia


Eu preciso de... óculos, chocolate, tempo, dinheiro, paciência, amor e psicodelia.



Não gosto de ver... pessoas agredidas (física e mentalmente), amigos e família tristes, animais sofrendo, séries que estrearam há pouco tempo (gosto de ver todas as temporadas de uma vez só).



Blog que indico para fazer a tag: quem quiser fazer tá mais que indicado :)


Até logo, Brasew!





Uma carreira de 30 mg de morfina com 8 mg de Suboxone para evitar abstinência. Um apartamento muquifento, um celular com a tela quebrada e uma promessa de não ultrapassar as próprias regras. Essa é a vida de Elliot Alderson, protagonista da série Mr. Robot, e o mais próximo que já me identifiquei com um personagem.

"Sou bom em ler as pessoas. Meu segredo: procuro o pior nelas"
Elliot trabalha em uma firma de segurança de redes, mas o seu passatempo favorito é hackear a vida dos outros para descobrir um pouco mais sobre o que as pessoas não dizem sobre si mesmas. E ele é muito bom nessa brincadeira. Talvez esta necessidade de estar por dentro seja uma forma de suprir sua falta de interação: antissocial nível hard, o moço mostra sinais de ansiedade e depressão, evitando toda forma de contato humano que conseguir. Quanto mais ele se afasta dos outros, melhor consegue enxergá-los.  

Quem é você? O que você acha que omite dos outros?

Desde a sua senha — data de aniversário, nome do cantor preferido, apelido do bicho de estimação ou número do telefone? — até o tipo de spam que recebe, a sua vida quando ninguém está olhando diz muito sobre quem realmente é você. As pessoas escondem aquilo que acreditam não ser aceito pela sociedade, embora todo mundo tenha seus segredos. É através da máscara da hipocrisia que a fachada da normalidade se constrói. Quando Elliot se esquiva de conversas profundas com outras pessoas, mas hackeia suas vidas assim que possível, não está tentando evitar o lado negro do ser humano. Pelo contrário. Está se conectando com a parte enterrada que mostra o quanto somos todos vulneráveis: camuflamos aquilo que mais revelaria nossa verdadeira essência. Matamos aos olhos do outro o que poderia entregar a nossa fragilidade.

Por que precisamos ser aceitos? 

Rami Malek faz um ótimo trabalho na pele de Elliot, nos convencendo de que está realmente desconfortável na presença da maioria das pessoas. E ele detesta ser tocado. Alguém com tão pouca habilidade social deve escolher ser tão solitário, certo? Errado. Ele até gostaria de ser um cara normal, ir às festas de aniversário, participar de jantares com colegas de trabalho e ir aos happy hours com a galera depois do expediente. O problema é que quanto mais ele tenta, mais a solidão o isola do resto do mundo. Não é porque alguém não tem amigos, que não gostaria de ter. Não é porque alguém está distante, que precisa ser esquecido. Muito provavelmente isso só ilumina o  que não conseguimos ver: misantropia, a dificuldade de conviver com outras pessoas, pode ser um último recurso de quem já desistiu de tentar se encaixar em padrões pré-fabricados. E, assim como com nosso protagonista, precede um choro sufocado de socorro.

Qual é a tua luta?

Mr. Robot é um ponto de vista do personagem que, como narrador não-confiável (vemos o mundo através dele, o que não significa que seja o mundo real), nos mostra aquilo que ele quer que a gente veja. Criando um amigo imaginário para conversar — nós, os telespectadores —, Elliot nos conta, em um thriller psicológico de tirar o fôlego, como a sua vida virou de cabeça para baixo ao conhecer o líder anarquista da fsociety, o Mr Robot (Christian Slater), e ser recrutado para um plano ambicioso de terrorismo poético inspirado em Clube da Luta: destruir a E Corp, maior corporação capitalista de todos os tempos, a fim de zerar ou diminuir o débito de todas as pessoas.




Quanta humanidade existe em alguém aparentemente tão desumano como Elliot Alderson! A realidade não precisa ser o que os outros querem que seja. A hipocrisia não deveria manufaturar máscaras que colaboram com padrões ultrapassados. Você não é o que veste, não é o que descreve, não é o que os outros veem, tampouco o que espera a sociedade. Você pode ser diferente. Fuck society!








Duas semanas. Este é o tempo que essa frase tem estado na minha cabeça. "Pra onde vocês irão agora que o Éden foi deixado pra trás?" é uma das perguntas que o professor David Ullman, personagem de O Demonologista, faz aos seus alunos logo nas primeiras páginas. Uma tempestade de pensamentos e memórias ganharam forma na minha cabeça. 

Para onde eu iria? 

Neste momento, Éden vai muito além de jardim bíblico. Hoje, meu paraíso particular é uma lista de objetivos e expectativas que, talvez por conta da solidão de viver a 1.617,5 km de casa, tenho guardado em um lugar muito especial dentro do peito. O meu Éden é um compilado de primeiras coisas que me vêm à mente quando penso em felicidade  sereia sedutora e feroz, capaz de afundar grandes nações com a presunção petulante de descobrir sua verdadeira face. Quantos suicídios já levaram o seu nome! Por que, diabos, somos obrigados a ser felizes?

Definido o meu Éden, conjunto de coisas que, supostamente, me levariam à autorrealização, resolvo deixá-lo para trás. Imediatamente surge o alívio de não precisar ser feliz. Não precisar ter uma casa própria. Não precisar de um carro do ano, nem de uma família tradicional. Viagens internacionais? Roupas de grife? Não preciso. Não preciso nem de sábios conselhos ou grandes notas azuis no boletim. Tudo o que me falta é tempo pra aprender o meu próprio ritmo.

E agora, pra onde é que se vai?

Pro mundo. Pra tudo. Todas as coisas que deixei passar na pressa de ser alguém. Na ânsia de ser feliz. O banho de cachoeira que cancelei porque tinha compromisso. A viagem de três horas pro interior que desisti por ser em época de prova na faculdade. As horas a mais na cama que me culpei por pensar que estava perdendo tempo. O tanto de coisa que deixei de fazer por medo do que você pudesse pensar de mim. Sem a obrigação de ser feliz, agora eu passo a pertencer ao mundo.

E você, pra onde iria?