Amores tóxicos

terça-feira, novembro 06, 2012 Vivian Loreti 9 Comments

    




O amor pode ser um bicho traiçoeiro. Um dos primeiros e mais comuns sintomas de que estamos apaixonados é nos distanciarmos do alcance da razão e passarmos a agir pelo que chamamos de coração. Esse "agir pelo coração" nada mais é do que agir pelo que acreditamos ser certo, ainda que muitas evidências provem o contrário. Acontece que quando amamos queremos acreditar que, de alguma forma, somos também amados e temos chances de viver o nosso próprio felizes para sempre.

Não há nada melhor do que estar apaixonado. O sorriso largo, o brilho nos olhos, o frio na barriga. O primeiro pensamento do dia vem com dedicatória e endereço. Nos cuidamos mais. Aprendemos coisas sobre nós que nem sabíamos que eram possíveis. A gente se reinventa ao se apaixonar.

Mas nenhum relacionamento é perfeito 365 dias no ano. É até saudável que haja uma balança, afinal, somos simplesmente humanos. Não há aquele que nunca quis arrancar os cabelos do ser amado. Isso porque conviver com outra pessoa não é tão fácil - vivemos esperando dos outros o que queremos para nós mesmos. Mas aprendemos com o tempo a aceitar e respeitar os limites e diferenças, mesmo que não entendamos muito bem.

O único problema do amor é quando tensão e lágrimas são mais frequentes que carinho e sorrisos. Quando as cobranças ultrapassam os elogios. Quando o ciúme deixa de ser bonitinho. Quando palavras como instabilidade e desconforto passam a fazer parte dia-a-dia. É aí que entra o conceito tóxico: aquilo que envenena, que machuca. E vicia.

O amor tóxico chega de mansinho. Encontra brecha em corações recém-quebrados, egos dissolvidos, autoconfiança pela metade. Começa saudável, como qualquer outro, mas cresce porque se alimenta de insegurança. 

E tem mais: não é característico apenas de pessoas psicologicamente instáveis, pelo contrário, qualquer um corre riscos de viver um amor tóxico. Afinal, todo ser humano tem os seus altos e baixos emocionais. Todos ficamos vulneráveis em algum momento da vida. A chave é uma autoestima equilibrada: fundamental pra se livrar da dependência de um relacionamento falido. 

Portanto, abra os olhos. Lembre-se que o amor também costuma cegar os seus envolvidos: às vezes estamos tão embebidos que não percebemos que o que deveria ser amor está nos fazendo mal. E é aí que urge o momento de agir. Arme-se de amor próprio. Vista-se de forças. E vá a luta pela sua liberdade!

Como eu disse, o amor pode ser um bicho traiçoeiro...



    


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9 comentários:

  1. Arrasou!
    Adoro seu jeito "descontraído" de escrever e gosto de escrever assim também... fica mais leve, mais gostoso de ler. Parabéns, está cada dia melhor!

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    1. Valeu Mari! Tb adoro seus textos, são ótimos.

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  2. amor é algo que temos que confiar desconfiando.

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    1. Com certeza. Especialmente nesses casos de amores tóxicos, quando você vê, já está dependente de alguém... é difícil de ver que sua relação chegou a um ponto extremo.

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  3. Obrigada, Vivian por sua visita e palavrinhas, em meu blog.

    O amor pode ser e é tanta coisa, mas é o AMOR e está tudo dito.

    Kisses from Lisbon.

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  4. Que texto ótimo Vivian! Parabéns... Realmente quando nos damos conta já estamos intoxicados...

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  5. Muito bom. Bem claro. Palavras simples, mas que traduzem algo bem relevante. Mas, fica a pergunta: Será amor?...já que o coelho é branco, acaso, deveria ou não ter paz?!

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