Anti-crônica sobre um anti-natal

quarta-feira, novembro 21, 2012 Vivian Loreti 9 Comments

  "Quero meus amigos mais próximos, quero que os encontros não se repitam apenas em uma data do ano, por normas sociais. Quero que sejam verdadeiros, por vontade própria. Por saudade. Por afinidade."


    

    Eis a verdade: eu não simpatizo com o Natal. Não me entenda mal, gosto de tudo por trás dos presentes, jingles, gorros e barbas. O problema é essa expectativa criada em torno da data, onde se vê claramente a desigualdade e a solidão.
    Somos obrigados a encontrar um local adequado pra ceia, onde reunimos amigos e parentes que não se encontram há 364 dias e todos são, inconscientemente, forçados a encenar um belo teatro de família-comercial de margarina. Há aqueles que não entram no jogo social. Estes são os desalmados e ingratos de quem se ouve todos os anos, mas são eles que fazem a diferença no tabuleiro da hipocrisia.
     Eu não sou desse time, embora muito desejasse ser. Compareço todo ano à ceia de Natal e, sinceramente, espero muito que o dia vinte e quatro passe depressa. Mas acontece exatamente o contrário. Vinte e quatro horas duram trezentos e sessenta e cinco dias, sem pausas.
    Intrigante o modo como as coisas nos marcam pra sempre, não é mesmo? Todos os anos me sinto como uma menininha invisível, de carne e osso. Tenho sete anos de novo. E todas as emoções me encontram, com as luzes piscantes de uma sala de rostos conhecidos.
    Natal não é comércio. Não é hipocrisia. Não é só festa e jantar. Não é um encontro obrigatório. Sabemos o que estamos comemorando, mas sentimos?
    Esse ano eu quero ter uma família de verdade. Respeito, em primeiro lugar, Papai Noel. Quero meus amigos mais próximos, quero que os encontros não se repitam apenas em uma data do ano, por normas sociais. Quero que sejam verdadeiros, por vontade própria. Por saudade. Por afinidade. Quero abraços no presente, com a mente na pessoa que está entre os meus braços. Quero enxergar. Enxergar aqueles que se sentem tão invisíveis quanto a menina de sete anos imersa na solidão de ser uma criança: as pessoas tendem a dar menos importância às crianças, como se ser adulto fosse extensão de status. Esse ano eu quero mudar a minha opinião. Me surpreenda, Papai Noel.
  

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9 comentários:

  1. Muito interessante o seu blog. Agradeço por acompanhar o Dando Pitacos no diHITT. Estou seguindo seu blog, onde cadastrei meu e-mail.

    Sobre os "parentes" e "amigos" do Natal, estou com você e não abro.

    Um abraço...

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    1. Ei, obrigada pela visita e fico feliz que tenha gostado!
      Beijão!

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  2. Interessante seu texto. Na minha familia não tem ceia de Natal. A gente tinha churrasco na casa do meu avô no Natal mesmo, e era divertido. Mas de uns anos pra cá meu vô ficou doente e faleceu. Então não temos mais Natal com churrasco. Eu adorava.
    Agora o Natal na minha casa é mais simples, um almoço com algo especial e o resto do dia é como todos os outros. Mesmo assim o dia ainda é especial, talvez seja a árvore na sala, não sei...

    Espero que tenha um Natal especial! E feliz Natal desde já :D

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    1. Aqui em casa todo ano minha mãe jura que não vai fazer ceia e acaba fazendo. Aparece tio de tudo quanto é canto que nem lembram que eu estou viva. Às vezes rola até briga, rs. É fogo!

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  3. Ô dona moça! kkk Tem razão, o natal deveria ser todos os dias em cada ação, em cada perdão, em cada bondade, em cada fé...


    Porreta!

    O Sibarita

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    1. Isso aí, seu moço. Pena que hoje a data se distorceu tanto... :/

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  4. Vivian, olha eu aqui novamente rsrs. 1º para agradecer o fato de ter liberado a classificação :). Se resolver realmente montar novamente meu brechó, te aviso, ok?

    Quanto ao seu texto, achei perfeito!! Aqui em casa o Natal nunca foi tão perfeito, mas agora que minha mãe esta inválida, esta um horror! Essa data acho que é complicada para quase todos, mesmo, né?

    Adorei seu texto e vou compartilhar!

    Bjins Querida!

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