Peso extra

sexta-feira, fevereiro 15, 2013 Vivian Loreti 9 Comments

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    A vida te dá aquilo que você precisa. Demorei pra entender a frase que minha mãe adorava repetir ao me ouvir reclamar dos pesares do mundo. Tomei na cara, mas aprendi suavemente e com direito a aplausos motivados pelo desejo do bis.
    Não somente recebemos da vida o que precisamos em determinados momentos, como também incorporamos à nossa bagagem somente aquilo que nós podemos suportar. O peso extra é, muitas vezes, ignorado. Ou excomungado. Xingado, sempre. E é exatamente o incompreendido peso extra que fortalecerá os músculos molengas da nossa personalidade. O peso extra - querendo ou não - sinônimo de crescimento.
    O meu peso extra foi duro de entender como algo não nocivo. Especialmente para a minha sanidade. Durante anos senti muito medo da solidão - mesmo estando lado a lado com ela. A solidão de estar no meio de incontáveis pessoas agradáveis e ainda assim não pertencer a lugar nenhum. A solidão que ninguém e nenhum bem material é capaz de vedar. 
    Recentemente fui obrigada a conviver não mais lado a lado, mas intrinsecamente com a solidão. Com o casamento, a mudança para outro bairro, as mudanças dos melhores amigos e, finalmente, um emprego trocado, cada vez mais sentia o hálito quente do meu deserto particular. Sofri bastante, calada. E, ao ver que nada mudou, sofri abertamente. Chorei. Berrei. E vi que nada ia mudar também. Isso porque a mudança externa que deveria acontecer, já tinha acontecido. E agora só dependia de mim. A solidão estava lá, debruçada confortavelmente no meu sofá, me convidando para o chá das cinco. E não iria partir até ser por mim ouvida. Então, vencida pelo cansaço, cedi. Estendi a mão e sentei ao seu lado para um desjejum. Conversamos por algumas horas. Gentil essa tal de solidão. Me ouviu em silêncio, não julgou os meus medos e nem as minhas esquisitices. Se despediu ao ouvir o barulho da maçaneta e marcou de antemão o próximo encontro.
    E o resultado foi inesperado. A solidão, antes evitada, agora passou a ser aproveitada. E deixou de ser tão incômoda, parou de doer. Em sua companhia tomo chá com meus próprios demônios. Danço com a liberdade. Sou expert em artes, âncora de jornal, conselheira da vida, sou psicóloga, médica, paciente. 
    Sozinha, aprendi a ser eu mesma.


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9 comentários:

  1. Adorei o texto!!! Esse ultimo paragrafo tocou fundo em mim, agente vai se conhecendo melhor com o passar do tempo, vai se entendendo e se aceitando bjs Bom Fim de Semana

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  2. Que texto lindo, Vivian! Sempre que venho aqui tuas palavras me fazem pensar... E acho que todos tem de passar um tempinho com a dona Solidão, né? Ela é como um espelho- nos reflete, reflete nossa reação perante a ela. Se a aceitarmos, ela nos ajudará:) Amei.
    Beijos,
    http://menina-do-sol.blogspot.com/

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  3. Vivian, te indiquei para uma campanha lá no blog, confere lá! http://ograndetalvez.blogspot.com.br/2013/02/campanha-de-incentivo-leitura.html
    Beijos!

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  4. Que texto lindo Vivian! me identifiquei muito!

    Bom, é como dizem por aí, "se você vai pro inferno, abraço o capeta". Já que a solidão não te abandona, melhor conviver com ela xD

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  5. amei!! você escreve muito bem, e o mais legal é que são fatos bem reais <3

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  6. Que texto bonito! Também vivo batendo de frente com essa tal de solidão que, ao contrário do que muitos pensam, é algo que vem principalmente de dentro. Achei muito bonito você ter aprendido a ver o lado bom do que mais te fazia sofrer, aprendeu a conviver com aquilo, mas não por se acomodar, e sim tirando proveito. Torço para que vc continue lutando contra seus monstros, sem nunca desistir! E, o mais importante, crescendo sempre com tudo isso ^^

    www.pixelexia.blogspot.com.br

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  7. Que lindo!
    O silencio é essencial para ouvirmos a nossa própria essência.

    Gostei

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  8. Bom dia!
    Belíssimo trabalho,parabéns.
    Abraços
    Sinval

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