Pelo direito ao fast-food

terça-feira, julho 16, 2013 Vivian Loreti 16 Comments



Homem não presta. E esta é uma frase que me enche de arrepios. Primeiro porque não existe pior desculpa para o auto-conforto do que sentenciar o gênero oposto pelo fim de um relacionamento ou a agonia de uma dor de cotovelo. É comum sentir toda essa revolta quando tomamos um pé na bunda. No entanto, tal afirmação há muito já entrou para o conceito social: "homem não presta". Tememos tanto por nossos corações que deixamos de aproveitar as entrelinhas. Se o cara com quem você está não presta, experimente a visão de um novo ângulo: você não precisa prestar, também.

Os animais vêm à Terra pré-programados para um propósito: nascer, crescer, encontrar a tampa da sua panela, se reproduzir e morrer - juntos, de preferência. Todos nós, secretamente, vivemos à espera de um amor de novela. Mas eu tenho uma novidade para você: amor de novela só existe em novela. Na vida real, o mocinho é aquele rapaz que te faz se sentir especial, te trata com respeito, entende suas necessidades e te faz de rir de um jeito que só suas séries favoritas conseguiam. Mas esse rapaz também acorda de mau humor, faz cosquinha quando você quer falar sério, ouve diversas vezes a mesma música. Tem um braço maior que o outro, pisca sem parar quando fica nervoso e tem um chulé de matar passarinho. O mundo não deixou de ser romântico; nós é que esperamos uma vida de romantismo barato e romances distorcidos. 

E ainda que haja muita gente que não vale nem a segunda noite, o que há de tão ruim em aproveitar a primeira? Deixemos de esperar príncipes em todas as esquinas, então! Ao notarmos que o rolo não dará sangue, só nos deixamos iludir se dermos corda à situação, certo? Pois em vez de nos debulhar em lágrimas pela falta de homens que prestam, por que não aproveitar um pouquinho dos que não prestam? Amor fast-food é isso: satisfaz vontades, vale pela brincadeira entre adultos.

O lado positivo de um amor fast-food é que uma parte é feita de cafajeste. E, por sorte, eles sempre caem fora. Seja ele ou você: cafajeste não é característica exclusivamente masculina. Ainda bem! E não tem nada de errado em bancar o sem vergonha de vez em quando - desde que as duas partes saibam, desde o princípio, que estão lidando com um amor fast-food, daqueles que tapam buracos, satisfazem vontades e divertem, apenas.  

O amor fast-food, ao contrário do que se pensa, não se encontra apenas no lado boêmio da vida. Ele está por aí, nos escritórios, nos salões de beleza, nas igrejas, no consultório. É uma questão de casualidade, de falta de compromissos e, o melhor, sem o mimimi do príncipe encantado. Se rolar algo mais sério, aí deixa de ser fast-food. Entra pro cardápio de entrada, o prato principal. Fast-food mesmo é aquele que deixa gostinho de quero-mais. Não por falta de romantismo, mas por saber como tirar proveito das surpresas do caminho.

Há quem prefira uma dieta rigorosamente saudável. Mas, vez ou outra, uma aventurazinha fast-food pode valer mais do que uma vida inteira de pratos feitos!

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16 comentários:

  1. Mulher, estou doida por um amor fast-food. Pra mim eles são os melhores, porque ao conviver com todas essas peculiaridades, crescemos!
    Espero que a casualidade chegue logo à minha porta! uahahahahaha

    Adorei o texto!

    Beijokas,

    http://algumasobservacoes.blogspot.com.br/
    http://escritoshumanos.blogspot.com.br/

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    1. kkkk eu já tive mto amor fast-food na vida!
      É incrível como as pessoas têm medo deles, né? Eu até gosto, rs.

      Beijão

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  2. Que texto leve e direto A-D-O-R-E-I...
    Um beijão e parabéns pelas observações e colocações criativas.

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  3. Tive arrepios ao ler a primeira frase! Hhuaihoiauoa
    E então li a segunda e tudo ficou bem de novo! :P

    Tenho orgulho de dizer que nunca pensei que um grupo inteiro de pessoas não prestava. Concordo que isso não existe!
    E que prestar ou não é conceito muito relativo!

    Eu acho que nesse caso, dieta saudável inclui fast food sim!
    E que nem todos foram feitos para encontrar a tampa da panela, se reproduzirem e morrerem! Tem gente que passa pela vida e tem muitos amores, mas não se prende a nenhum deles, não se reproduzem e mesmo assim têm dieta saudável! Hhaiuhaoia :)

    Essa vida de contos de fadas de fato não existe. Cada vez mais tenho visto casais que têm filhos e acham que nada na vida irá mudar. Que a babá não pode mais ficar para dormir e a pessoa questiona: "mas com quem vou deixar as crianças depois das 8 da noite???". Chega a ser engraçado! E triste também..

    Beijinhooos!
    ;*

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    1. Disse tudo, Bianca. Prestar ou não é um conceito relativo ;)
      Adorei o seu ponto de vista, sabia?
      Beijão!

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  4. Julga-se muito a "maioria" pelo erro de um.
    Como falar que os homens não prestam se faz-se a escolha errada ?
    Nem sempre o que é bom para mim é bom para os outros e assim é a vida.
    Muito boa postagem, abordou um tema de certa forma polemico de uma forma muito inteligente. Parabéns !!

    Beijos
    Caio

    http://jonathanejonathan.blogspot.com.br/

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    1. Certamente, Caio. Não dá pra julgar o todo por um só. Especialmente nessas situações, não é mesmo?
      Fico triste por ver que esse pensamento - de que homem não presta - já caiu pro conceito social...

      Fico feliz que gostou, Caio :)
      Beijão

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  5. Vi, me diverti com seu texto!! Adoro como vc escreve, de verdade!

    Amor fast-food... sei bem como é! ahuahau Adorei esse termo!
    Eu confesso que sempre busquei opções saudáveis, mas a vida é feita de encontros e desencontros, enquanto não achava meu "restaurante" praticamente vegetáriano... o Mc Donald's até que caia bem!! ahu ahauhau

    Adorei Vi, mesmo!!

    Bjinhos
    Ju
    asbesteirasquemecontam.blogspot.com.br

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    1. kkkkkk o fast-food sempre cai bem nessas horas, enquanto o prato principal não vem! rs

      Que bom que gostou, Ju!!!

      Beijão

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  6. Adorei o termo Amor de Fast-food!
    Confesso que não curto esse tipo e prefiro coisas sólidas!
    Gostei do texto!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  7. Muito divertido teu texto... nunca experimentei um amor fast-food, sempre fui muito romântica e bobinha eu acho... mas concordo que essa história de ficar esperando por príncipes encantados é a maior furada, hehehe!

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    1. Hahaha
      Mas não há nada de errado em ser romântica :)
      Eu já experimentei alguns, mas prefiro algo mais sério!

      Beijão

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  8. Vivi! Simplesmente amei seu texto!!!
    Não sei como seria ter um amor fast-food, mas também já achei que acharia um amor de novela e a realidade pode ser bem mais dura, mas não menos empolgante e divertida!

    Beijos

    www.meumeiodevaneio.com.br

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    1. Eu também já esperei príncipes e foi meio que com o fast-food que eu entendi que nada disso existe (ainda bem!).

      Que bom que curtiu, Sosô!
      :)

      Beijão

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