Resenha: Silo

terça-feira, setembro 01, 2015 Vivian Loreti 4 Comments



Autor: Hugh Howey
ISBN: 9788580574739
Tradutor: Edmundo Barreiros
Ano: 2014
Páginas: 512
Editora: Intrínseca
O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.
Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.
Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.
Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

Eu costumo julgar o livro pela capa, admito. E foi exatamente isso o que me chamou a atenção em Silo - a arte avermelhada como sangue respingado e o subtítulo chamativo. Isso foi o suficiente pra eu pesquisar algumas resenhas e decidir que precisava comprar esse e-book. Pra início de conversa, o que é mais legal que um autor que vende mais de 10 mil cópias por mês em autopublicação? Foi o que aconteceu com Hugh Howey: lançou Silo originalmente em 9 contos pela Amazon como e-books. Silo, primeiro livro da trilogia de Hugh Howey, vendeu mais de 600 mil cópias digitais e o autor entrou para o ranking de sucesso da Amazon.

A história distópica acontece na Terra pós-apocalíptica, onde tudo fora do silo é tóxico e morto. Não sei vocês, mas como eu não sabia o que era um "silo", precisei pesquisar:

substantivo masculino

1. agr fosso cavado na terra para depósito e conservação de cereais, forragem verde etc. 2. reservatório fechado, de construção acima ou abaixo do solo, próprio para armazenamento de material granuloso, como cereais, cimento etc.

O narrador é onisciente, o que eu adoro, e a história passa por 3 personagens principais: o xerife Holston, a prefeita Jahns e a mecânica Juliette. A primeira parte começa com Holston na maior bad, pensando na vida, na esposa e na limpeza. O que eu gosto nessa parte é que Hugh não segue uma linha temporal, alterna entre o presente e 3 anos antes, o que mostra de uma forma não cansativa as coisas que estão acontecendo e passando dentro da cabeça do moço. A vida de Holston me comoveu bastante e eu cheguei a me emocionar em algumas partes.

Já Jahns eu achei bem sem gracinha. Ela, a parte dela, o lesco-lesco que ela está envolvida... Enfim, parte morninha, quase em banho-maria. Não achei os conflitos dela muito convincentes, e fiquei com um ponto de interrogação na minha testa quando a viagem dela terminou. Acho que o autor podia ter aproveitado mais os eventos do fim do livro pra dar ênfase nos ocorridos durante a viagem pelo silo.

Mas a Juliette... valeu todo o esforço! Se tivesse uma daquelas tags que perguntasse hoje qual personagem eu queria que ganhasse vida, seria ela. Além de a moça dar toda a vida à trama, trazer questionamentos-chave para o livro e para os próximos, acredito que a participação dela foi um soco na cara do machismo e do sistema macho-fodão-que-salva-a-mocinha-no-final. Ficava ansiosíssima pra chegar logo na parte dela toda vez que Hugh mudava o foco da narrativa. Juliette, mulher independente, inteligente, badass, passa por várias provações que deixam o coração de qualquer um a ponto de infartar a qualquer momento.

Sem dúvidas, esta foi uma das melhores distopias que eu já li. Os personagens são muito bem construídos, e os diálogos, realistas. Você sente o que eles estão sentindo e vê o que estão vendo. Não tive qualquer problema pra visualizar o mundo de Silo. Logo de cara, queria dar um abraço em Holston e chamar o cara pra tomar uma gelada. Ia dizer que tudo passa e contar as minhas derrotas pra ele ver que tem gente pior, rs. A Juliette, no caso, seria uma daquelas amigas que me ajudariam a resolver qualquer treta. A garota é entendida. Seríamos muito amigas, Hugh, eu postaria várias fotos com ela no Instagram. Já o Solo seria aquele amigo fofo pra ver Faustão e falar mal das novelas. Talvez ele fedesse um pouco - sempre imagino ele fedendo, rs.

O silo tem dimensões extraordinárias, com mais de 130 andares de profundidade, e uma vista quase fantasmagórica para o exterior - que carrega todo o peso das maiores infrações e punições do silo. Sob o teto seguro das instalações, demonstrar qualquer interesse pelo exterior é crime e os culpados são levados para a limpeza. Onde as regras são severamente impostas, a verdade começa a querer transbordar. E, se isso acontecer, qual será o destino do silo?

Muito bem escrito, bastante detalhado sem parecer complexo - até as expressões técnicas da mecânica passaram tranquilas - e com figuras de linguagem na medida certa, Silo vale cada uma das mais de 500 páginas.

A única parte negativa pra mim foi em relação à prefeita e a descida até as profundezas. Como disse, Jahns é super sem gracinha. Parecia que a parte dela nunca ia chegar ao fim. Várias páginas enchendo linguiça sobre como foi a descida com o delegado Marnes do topo até a mecânica, com pausas entre andares e blá blá blá. Se foi cansativo pra eles, imagine pra mim!

Hugh fez um trabalho tão incrível e minucioso sobre esse mundo cheio de mistérios, que foi muito difícil superar as últimas páginas. Quando vi que não caberia tudo o que eu imaginava nas próximas 100 páginas, quase faleci. Mal posso esperar até ler a Ordem, segundo livro da trilogia.

Minha classificação para Silo: ❤❤❤❤

E vocês, já leram?

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4 comentários:

  1. Acho engraçado esse lance de distopia, porque elas parecem iguais para mim. A forma como você descreveu, aprecia que estava falando daquele livro chamado "Puros" (já leu?). Mesmo lance de um mundo pós-apocalíptico numa "redoma" que ninguém pode saber qual é a real, por causa dos riscos que se corre (e sempre alguém tentando descobrir). :P
    Acho que sou chata demais para essas coisas, porque este estilo não me atrai. De qualquer forma, adoro como você apresenta as ideias e - sobretudo - amo te ter por aqui de novo!

    Beijos,

    www.algumasobservacoes.com

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    1. Fê, o bom de estar de volta é ter gente como você me apoiando as idas e vindas ❤.

      Mas eu concordo, algumas distopias são bem parecidas mesmo. Eu ainda não li o Puros, mas o esqueleto lembra livros como O Doador, Divergente e 1984. Eu adoro hahahaha tô super pós-apocalíptica desde The 100 😍.

      Beijo!

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  2. Eu n conhecia o livro , mas gostei da resenha !

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    1. Procure pra ler, Juju, é muito bom! Eu indico.

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